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Eleições 2026: o voto em deputados e senadores define o futuro do serviço público

Campanha Vote Consciente do Sindireceita explica por que as escolhas de outubro impactam diretamente carreiras, remuneração e aposentadoria dos servidores federais.

28 de setembro de 2026 às 14:22
Atualizado: 28 de setembro de 2026 às 14:33

 

A poucos dias das urnas, o processo eleitoral de 2026 coloca no centro do debate não apenas quem vai governar, mas o que está em jogo para o serviço público nos próximos anos. Em outubro, o Brasil elege novos deputados federais e senadores, parlamentares que vão decidir, voto a voto, as regras que regem a vida funcional de milhões de servidores.

É do Congresso Nacional que saem as decisões sobre carreiras, remuneração, previdência e aposentadoria do funcionalismo federal. Reajustes salariais, por exemplo, nascem como projeto do Poder Executivo, mas só viram lei com a aprovação de deputados e senadores, que podem aprová-los, rejeitá-los ou alterá-los. Mudanças na estabilidade, nas regras de aposentadoria e na contribuição previdenciária exigem ainda mais: passam por Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que precisa de 3/5 dos votos, em dois turnos, nas duas Casas do Congresso. Cada parlamentar eleito tem, portanto, poder direto sobre essas regras.

O alcance não para aí. São deputados e senadores que aprovam o Orçamento anual, definindo se existirão recursos para concursos públicos, estrutura de atendimento e valorização das carreiras. Cabe a eles também fiscalizar o Executivo e votar as leis que organizam a administração tributária, matérias que afetam diretamente a estrutura da Receita Federal do Brasil (RFB) e a carreira dos Analistas-Tributários e das Analistas-Tributárias.

Há, neste momento, propostas em tramitação no Congresso Nacional com potencial para alterar regras de carreira, remuneração, previdência e aposentadoria dos servidores federais. Os eleitos em outubro serão os responsáveis por aprovar, derrubar ou modificar cada uma delas, deputados, por 4 anos; senadores, por 8 anos. As decisões que tomarem atravessarão gerações do serviço público.

É nesse cenário que o Sindireceita reforça a campanha Vote Consciente, mobilização voltada a estimular a categoria, aposentados(as), pensionistas e a sociedade a acompanharem, de forma qualificada, as discussões políticas e legislativas que podem afetar o futuro do serviço público e a elegerem candidatas e candidatos que defendam e valorizem o funcionalismo.


A Campanha VOTE CONSCIENTE

O Sindireceita integra o movimento nacional Vote Consciente, campanha suprapartidária lançada em 15 de junho de 2026 pelo Instituto Servir Brasil, braço técnico-operacional da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Serviço Público (Frente Servir Brasil). A iniciativa mobiliza servidores, empregados públicos e a sociedade para eleger candidatas e candidatos comprometidos com a defesa, a valorização e o fortalecimento do serviço público brasileiro e segue em ação até a conclusão do pleito de 2026, incluindo eventual segundo turno.

Com o slogan "Eleja candidatos e candidatas que defendam o serviço público", o movimento reúne atualmente 31 entidades nacionais representativas de servidores dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, em todas as esferas da federação. O Sindireceita, protagonista na defesa da Carreira Tributária e Aduaneira, apoia integralmente a iniciativa e atua de forma ativa na mobilização da categoria.

A campanha parte de dados para desmontar mitos. Segundo levantamento baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), o Brasil tem cerca de 12,5 milhões de vínculos formais no setor público — e a maior parte deles está longe dos grandes centros administrativos: 65,48% dos servidores atuam nos municípios, em escolas, postos de saúde, hospitais e serviços de atendimento direto à população, conforme a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). Os números de remuneração também surpreendem: metade dos profissionais do setor público recebe até R$ 4.034,60 por mês, e 70% até R$ 6.189,35.

A mensagem central do Vote Consciente é direta: defender o serviço público é defender direitos. O serviço público está no posto de saúde que atende a família, na escola onde os filhos estudam, na fiscalização que protege o consumidor e na segurança que protege as famílias — incluindo a fiscalização aduaneira e tributária que garante recursos para o país funcionar.

Entre as ações centrais da campanha está a Carta de Compromisso em Defesa do Serviço Público, apresentada a candidatas e candidatos de diferentes partidos. O documento funciona como um "selo de transparência": permite que o eleitor saiba exatamente quem se compromete com a valorização das carreiras de Estado e com a manutenção da estrutura pública. A campanha também promove conteúdos digitais, eventos e debates, e convoca servidores a atuarem como multiplicadores da reflexão junto a familiares e amigos, combatendo a desinformação sobre o papel do Estado.

Para o Sindireceita, a participação no movimento é estratégica: garante que as pautas da categoria e a importância da Receita Federal do Brasil (RFB) sejam respeitadas pelos futuros representantes eleitos — deputados e senadores que votarão reajustes, carreiras, previdência e o Orçamento do funcionalismo nos próximos anos.


O que está em jogo?

A relação entre o processo eleitoral e o cotidiano do servidor público não se resume ao resultado das urnas. Projetos de lei, propostas de emenda à Constituição (PECs) e outras medidas em discussão no Congresso Nacional tratam de temas como carreira, remuneração, direitos funcionais, previdência, aposentadoria, condições de trabalho e a própria estrutura do serviço público.

Quem decide sobre tudo isso são os parlamentares eleitos. Cada deputado federal e cada senador votará, nos próximos anos, propostas que podem beneficiar e valorizar os servidores ou, simplesmente, proteger e manter direitos já alcançados ao longo de décadas de luta da categoria. Nada disso está garantido: cada conquista do funcionalismo permanece de pé apenas enquanto houver votos no Congresso para defendê-la.

Por isso, a escolha de outubro vai muito além de preferências pessoais. Não se trata de ideologia, nem de partido, trata-se de proteger o serviço público. Eleger candidatas e candidatos que apoiem, defendam e valorizem o funcionalismo é o que determinará o resultado das votações sobre reajustes, carreiras, previdência e estrutura de Estado. Uma escolha errada, em contrapartida, pode prejudicar carreiras, salários e o futuro de quem serve ao país e comprometer a capacidade do Estado de atender a população.

Conhecer essas propostas e entender seus possíveis impactos é, na avaliação do Sindireceita, parte essencial do exercício da cidadania, dentro e fora do ambiente de trabalho. Acompanhar o debate, cobrar posicionamentos e votar com informação são atitudes que protegem não apenas a categoria, mas os direitos de todos que dependem do serviço público todos os dias.


Propostas que merecem atenção

Confira as principais proposições em análise:

Proposta

Tema

Situação atual (28/09/2026)

Impacto para os servidores

PEC 32/2020

Reforma Administrativa

Altera dispositivos constitucionais sobre servidores, empregados públicos e organização administrativa.

Após anos de tramitação em comissão especial na Câmara, com dezenas de audiências públicas e participação ativa do Sindireceita, a proposta não avançou para o Plenário. Análises recentes do setor apontam o insucesso da matéria nesta legislatura, com o tema podendo retornar ao debate na próxima.

Uma eventual retomada e aprovação poderia modificar significativamente o regime constitucional do serviço público e a estrutura futura das carreiras federais. Eleger parlamentares contrários à desconstitucionalização é a principal proteção.

PL 1893/2026

Negociação coletiva no serviço público

Estabelece regras para a negociação das relações de trabalho no setor público e para a representação sindical de servidores e empregados públicos, alterando a Lei nº 8.112/1990.

Tramita em regime de urgência na Câmara (urgência aprovada em 9 de junho de 2026) e chegou a ser incluída na Ordem do Dia do Plenário em diversas ocasiões, mas não foi votada por falta de consenso. A votação ficou oficialmente adiada para depois das eleições de outubro.

Serão os deputados eleitos em outubro que votarão esse projeto. A regulamentação da negociação coletiva é pauta histórica do funcionalismo e depende diretamente da composição da próxima legislatura.

PL 3682/2025

Adicional por tempo de serviço (anuênio)

Acrescenta artigo à Lei nº 8.112/1990 para instituir adicional vinculado ao tempo de efetivo exercício no serviço público federal, na forma de anuênio.

Aguardando despacho do Presidente da Câmara dos Deputados.

A remuneração poderia aumentar progressivamente conforme os anos de serviço, recuperando vantagem extinta na década de 1990.

PL 2332/2022

Servidor como MEI

Altera a Lei nº 8.112/1990 para permitir que servidor público federal possa ser microempreendedor individual (MEI).

Aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em 1º de julho de 2026 e remetido à Câmara dos Deputados, onde aguarda despacho do Presidente da Casa.

Estabelece condições como compatibilidade de horários e ausência de conflito de interesses. Tema sensível ao regime de dedicação exclusiva e à integridade da administração tributária.

MPV 1.375/2026 e PLV 12/2026

Adicional de fronteira e indenização por localidade estratégica

Concede adicional na remuneração de servidores que trabalham em localidades estratégicas de fronteira e amplia o rol de carreiras com direito à indenização prevista na Lei nº 12.855/2013.

Aprovada com alterações pela comissão mista do Congresso no início de setembro de 2026. Com isso, passou a tramitar o Projeto de Lei de Conversão (PLV) nº 12/2026, que amplia o rol de carreiras e planos especiais com direito à indenização, eleva o valor da vantagem e permite a inclusão de municípios da Amazônia Legal entre as localidades estratégicas. As votações finais nos Plenários da Câmara e do Senado devem ocorrer após as eleições.

Beneficia diretamente servidores que atuam em regiões de fronteira, incluindo unidades da Receita Federal do Brasil (RFB). A deliberação final caberá aos parlamentares eleitos em outubro.

PL 1852/2026

Gestão de desempenho e eficiência

Institui a Política Nacional de Gestão de Desempenho e Eficiência no serviço público, com diretrizes para avaliação preferencialmente anual, critérios objetivos, valorização e desenvolvimento dos servidores, além de mecanismos de premiação e capacitação.

Na Comissão de Administração e Serviço Público (CASP) da Câmara, aguardando designação de relator (situação a confirmar na ficha oficial da Câmara antes da publicação).

Pode redefinir critérios de avaliação e progressão nas carreiras federais, com potencial efeito sobre gratificações de desempenho.

PL 6788/2017

Carreira de Suporte às Atividades Tributárias e Aduaneiras da RFB

Cria, na estrutura da Receita Federal do Brasil (RFB), a Carreira de Suporte às Atividades Tributárias e Aduaneiras, com os cargos de Analista-Técnico, Técnico e Auxiliar Técnico-Administrativo, além de tratar de estrutura, desenvolvimento e gratificação de desempenho.

De autoria do Poder Executivo. Já passou pela Comissão de Trabalho e, na Comissão de Finanças e Tributação (CFT), o parecer do relator foi apresentado em 28 de agosto de 2026. A proposta aguarda agora a apreciação do parecer pela comissão.

Matéria de interesse direto da categoria: reorganiza o quadro de apoio às atividades tributárias e aduaneiras da Receita Federal do Brasil (RFB), com efeitos sobre a estrutura de trabalho dos Analistas-Tributários.

PL 6170/2025

Reestruturação de carreiras e salários do Executivo federal

Cria novas carreiras, reajusta remunerações e institui gratificações e programa de desenvolvimento no serviço público federal.

De autoria do Poder Executivo. Foi apensado aos PLs 5893/2025, 5874/2025 e PL 1/2026, com tramitação conjunta determinada pela Mesa da Câmara e relator designado.

É a pauta de reestruturação mais ampla em discussão no Congresso, com potencial de definir o padrão de valorização remuneratória das carreiras federais nos próximos anos.

PL 2683/2026Segregação de rendimentos no IRPF

Altera a Lei nº 9.250/1995 para forçar a apuração isolada de rendimentos previdenciários e de trabalho, impedindo a tributação conjunta que eleva a alíquota efetiva.

Em tramitação na Câmara dos Deputados.

Impacto direto para aposentados(as) e pensionistas — público mobilizado pela campanha Vote Consciente —, preservando a renda de quem já contribuiu décadas para o serviço público.

PEC 6/2024 e PEC 555/2006

Fim da contribuição previdenciária de aposentados e pensionistas

Propõem o fim da cobrança da contribuição previdenciária incidente sobre os proventos dos servidores públicos aposentados e pensionistas — a chamada "contribuição de inativos", que hoje representa desconto de 11% a 14% sobre quem já cumpriu o tempo de contribuição.

A PEC 555/2006 está pronta para pauta no Plenário da Câmara dos Deputados. A PEC 6/2024, do deputado Cleber Verde (MDB/MA), tramita em conjunto com a PEC 555/2006 e aguarda despacho do presidente da Câmara, com requerimento de audiência pública já aprovado.

É a maior pauta previdenciária dos aposentados e pensionistas em disputa no Congresso. Por estar pronta para pauta, pode ser votada pelos deputados eleitos em outubro — a composição da próxima legislatura definirá seu destino.

PL 456/2026

Isenção de IR para aposentados com doença grave que recebem abono permanência

Altera a Lei nº 7.713/1988 para isentar do Imposto de Renda os valores recebidos por portadores de moléstia profissional ou doença grave que tiverem abono permanência.

Em tramitação na Câmara dos Deputados.

Beneficia diretamente servidores aposentados que, mesmo com doença grave, continuam em atividade e recebem o abono permanência.

PL 3720/2026

Isenção total de IR para aposentadoria, pensão e benefícios previdenciários

Altera a Lei nº 7.713/1988 para conceder isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física incidente sobre rendimentos de aposentadoria, pensão e demais benefícios previdenciários.

Apresentado em 15 de julho de 2026 pelos deputados Alencar Santana (PT/SP), Paulo Pimenta (PT/RS) e Rogério Correia (PT/MG), está na Mesa Diretora da Câmara aguardando despacho para as comissões temáticas.

Beneficia todos os aposentados e pensionistas, eliminando a tributação sobre esses rendimentos.

SUG 11/2025

Auxílio-nutrição na aposentadoria

Sugestão legislativa originada no Portal e-Cidadania, com mais de 20 mil apoios, que propõe a conversão do auxílio-alimentação em auxílio-nutrição no momento da aposentadoria. Hoje, o servidor aposentado perde imediatamente o auxílio-alimentação (de R$ 1.192 no Executivo).

Ressalva: trata-se de sugestão do Portal e-Cidadania, ainda não convertida em projeto de lei de tramitação plena.

Evitaria perda significativa de renda mensal no momento da aposentadoria.

SUG 1/2026

Equiparação dos auxílios nos três Poderes

Sugestão legislativa, também do Portal e-Cidadania, que propõe a equiparação dos valores dos auxílios (alimentação, saúde e creche) pagos aos servidores federais dos três Poderes.

Ressalva: primeira sugestão oficializada em 2026 no Senado, ainda em fase inicial — está na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) aguardando designação de relator.

Busca isonomia de benefícios entre servidores dos três Poderes, com reflexos potenciais para o conjunto do funcionalismo.

Chama atenção o fato de que várias dessas matérias, como os PL 1893/2026 da negociação coletiva e PLV 12/2026 do adicional de fronteira, entre outras, terão suas votações finais justamente depois das eleições. Isso significa que os deputados e senadores eleitos em 4 de outubro de 2026 poderão ser os responsáveis por aprovar, derrubar ou modificar cada uma delas. Destaque ainda maior para a PEC 555/2006, que acaba com a contribuição de inativos e já está pronta para pauta no Plenário da Câmara, podendo ser votada a qualquer momento pela atual legislatura ou ser votada somente na próxima legislatura.

Conhecer essas propostas e entender seus possíveis impactos é parte essencial do exercício da cidadania, dentro e fora do ambiente de trabalho. Acompanhar o debate, cobrar posicionamentos e eleger candidatas e candidatos que defendam e valorizem o serviço público são atitudes que protegem não apenas a categoria, mas os direitos de todos que dependem do serviço público todos os dias.


Eleições

O calendário legislativo de 2026, porém, impõe cautela. Com o período eleitoral em curso e a reta final do ano legislativo, a maioria dessas propostas dificilmente será votada ainda este ano, permanecendo na pauta para a próxima legislatura. O acompanhamento, no entanto, segue sendo estratégico, seja para cobrar avanços, seja para compreender o que está por vir.

Conhecer o que está em jogo no Congresso, identificar o posicionamento dos candidatos em relação ao serviço público e compartilhar informações qualificadas são atitudes que fortalecem a democracia e contribuem para escolhas mais conscientes.

O Sindireceita segue mobilizado com a campanha Vote Consciente até o fim das eleições e continuará acompanhando cada uma dessas proposições e atuando junto ao Congresso e ao Executivo em defesa da categoria e do serviço público brasileiro.


Sindireceita

Diretoria Executiva Nacional

Campanha VOTE CONSCIENTE

Eleja candidatos e candidatas que defendam o serviço público

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